
A inflação nos EUA acelera, e núcleo do PCE atinge 2,7%, adiando cortes nas taxas
A inflação nos Estados Unidos tem deixado os mercados inquietos, enquanto analistas tentam avaliar seu impacto na economia. Ainda assim, não há motivo para pessimismo absoluto—sempre há esperança de dias melhores!
De acordo com os últimos relatórios, o núcleo do índice de preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos EUA avançou 2,7% em fevereiro, sendo este o principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve. A tendência atual dá ao Fed motivos sólidos para adiar qualquer corte nas taxas de juros até 2025.
O índice PCE geral registrou um aumento anual de 2,5% em fevereiro, mantendo-se inalterado em relação a janeiro e em linha com as previsões dos economistas. Na comparação mensal, o índice subiu 0,3%.
Já o núcleo do PCE, que exclui os itens mais voláteis, como alimentos e energia, avançou 2,8% em relação ao ano anterior, superando a revisão de 2,7% de janeiro. Em termos mensais, o núcleo subiu 0,4%, acima dos 0,3% registrados no mês anterior.
Esses números refletem preocupações crescentes com a política comercial agressiva do presidente Donald Trump. Recentemente, a Casa Branca impôs tarifas não apenas a países rivais, mas também a aliados históricos dos EUA. Nesse cenário, especialistas alertam para maiores pressões inflacionárias e um possível enfraquecimento da atividade econômica.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), responsável pela definição das taxas de juros, manteve os custos dos empréstimos inalterados em sua última reunião, citando a incerteza crescente sobre as próximas decisões políticas do governo Trump. Analistas do ABN Amro preveem uma desaceleração no crescimento econômico e no consumo, impulsionada pela queda acentuada no sentimento do consumidor devido à instabilidade política.
O banco também prevê um resfriamento gradual do mercado de trabalho dos EUA. Sua projeção de crescimento do PIB para 2025 foi revisada para baixo, para 1,7%, mas pode ser reavaliada após 2 de abril, quando entrará em vigor a nova rodada de tarifas impostas pelos EUA. Segundo o ABN Amro, o estresse financeiro já vinha pesando sobre as famílias e contribuindo para a desaceleração econômica, e as novas tarifas devem intensificar esse impacto, além de pressionar ainda mais a inflação.
Projeções indicam que essas tarifas podem elevar a inflação do núcleo PCE para uma média de 2,7% em 2025, com possibilidade de atingir 2,8% em 2026.